Uso de inteligência artificial sem supervisão aumenta riscos de vazamento de dados; especialista lista 4 cuidados

Uso de inteligência artificial sem supervisão aumenta riscos de vazamento de dados; especialista lista 4 cuidados

Proporção de incidentes relacionados ao uso de ferramentas sem autorização ou supervisão das empresas mais que dobrou no mundo, passando de 20% em 2025 para 43% em 2026

Foto: Divulgação

O uso de ferramentas de inteligência artificial sem autorização ou supervisão das empresas pode gerar crises graves relacionadas à segurança da informação e à proteção de dados no ambiente de trabalho. Conhecida como “shadow AI”, a prática ocorre em situações comuns do dia a dia, como quando colaboradores recorrem às tecnologias para escrever e-mails, resumir textos, analisar dados ou esclarecer dúvidas, sem que haja orientação da organização.

Segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM, elaborado com base em pesquisa do Ponemon Institute, a proporção de incidentes relacionados a essa prática mais que dobrou de forma global, passando de 20% em 2025 para 43% em 2026. O levantamento também aponta que 68% das organizações que sofreram violações de dados não contavam com uma governança adequada para gerenciar o uso da inteligência artificial ou monitorar ferramentas não autorizadas.

Para Pedro Rizzo, sócio-diretor da Apter responsável pela área de Digital, o principal risco do uso dessas ferramentas sem diretrizes claras é a perda de visibilidade sobre o destino e até mesmo a origem das informações corporativas.

“Ferramentas não homologadas, acessadas por meio de contas pessoais ou até corporativas, recebem contratos, planilhas e dados de clientes sem que se saiba onde esse conteúdo fica armazenado ou se será utilizado para treinar modelos. Com a LGPD, o que parecia uma questão técnica passa a ter consequências jurídicas e reputacionais”, explica.

Para reduzir os riscos de vazamento de informações pelo uso indiscriminado da inteligência artificial, Rizzo destaca a importância de integrar essas tecnologias aos processos corporativos, em vez de tratá-las como ferramentas individuais. “Quando ela faz parte do processo, a segurança deixa de depender do comportamento de cada pessoa”, afirma o especialista.

Quatro cuidados para usar a IA no trabalho

A adoção de medidas preventivas é fundamental para que as empresas utilizem a inteligência artificial com mais segurança. Entre os principais cuidados, o especialista destaca quatro medidas:

1. Utilizar apenas ferramentas homologadas: adotar soluções com contratos que definam onde os dados são armazenados e impeçam seu uso para treinamento de modelos.

2. Controlar os acessos: utilizar identidades corporativas e manter registros de quem acessa as ferramentas e quais funcionalidades são utilizadas.

3. Proteger os dados antes do envio: classificar as informações e aplicar técnicas de anonimização antes de inseri-las nos modelos de inteligência artificial. Atualmente, existem plataformas online que aplicam regras de segurança e atuam como intermediadoras entre o usuário e os modelos de IA.

4. Manter a revisão humana: verificar os resultados antes de qualquer uso externo, uma vez que a inteligência artificial pode apoiar a tomada de decisões, mas a responsabilidade pelo conteúdo continua sendo de quem o valida e assina.

Critério para envio de dados

O especialista alerta ainda que, na maioria das vezes, o “shadow AI” surge quando o colaborador tem uma real necessidade e não encontra uma alternativa oficial. Por isso, é importante orientá-lo sobre os dados que podem ser inseridos na IA.

Pedro Rizzo cita um critério simples que pode ser utilizado por lideranças de uma empresa ao tratar do assunto com funcionários: se a informação não pode ser enviada por e-mail a alguém de fora da organização, ela não pode ir para uma ferramenta não autorizada.

“Isso vale para dados pessoais de clientes e colaboradores, números financeiros não divulgados, contratos, estratégia, código-fonte e credenciais de acesso. Os vazamentos acidentais mais comuns acontecem no dia a dia, quando alguém ‘cola’ uma planilha inteira para organizar, pede o resumo de uma ata de diretoria ou envia um trecho de código com uma senha no meio”, finaliza.

Conteúdo enviado por OS2 Comunicação, em nome de Apter. Pauta de assessoria de imprensa, publicada após aprovação da redação do Portal Sorocaba.