Cemitério da Saudade revela histórias e formação social de Sorocaba

Pesquisa analisa livros de óbito para resgatar memórias e entender a cidade
Foto: Reprodução/Jornal Cruzeiro do Sul
A pesquisadora Kelly Rufino utiliza os livros de óbito do Cemitério da Saudade, em Sorocaba, para investigar a história e a formação social da cidade. A partir de registros que vão de 1880 a 2024, guardados no Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, ela busca resgatar trajetórias esquecidas e compreender as diferenças sociais e religiosas ao longo do tempo.
Inaugurado em 1863, o cemitério apresenta uma organização que reflete as distinções da sociedade, com sepulturas que variam em tamanho e ornamentação, além de áreas específicas para crianças e para diferentes religiões. Originalmente destinado a católicos, o local passou a contar com uma ala para protestantes, com sepulturas voltadas em direção oposta à catedral.
A pesquisa de doutorado inclui a edição semidiplomática de um dos livros de óbito, mantendo suas características originais, e a criação de material pedagógico para aproximar estudantes da história local. Entre as histórias recuperadas estão casos de violência, como o assassinato do dentista Benedito Dias e sua esposa em 1977, e o crime envolvendo Therezinha Carvalho em 1951.
Além de revelar episódios marcantes, os registros permitem reconstruir relações familiares, identificar nacionalidades e evidenciar a ausência de grupos como negros e indígenas nos documentos oficiais. Para Kelly, o cemitério é um retrato da vida urbana e social de Sorocaba, reunindo memórias que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano da cidade.
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
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